· Jesus e os
ensinamentos dos orixás contidos no Evangelho
A umbanda vivencia O Evangelho de
Jesus em sua essência através da manifestação do amor e da caridade prestada
pela orientação dos guias e protetores que recebem a irradiação dos orixás.
Encontramos no terreiro da verdadeira umbanda entidades que trabalham com
humildade, de forma serena, caritativa e gratuita; espíritos bondosos que não
fazem distinção de raça, cor ou religião, e acolhem todos que buscam amparo e
auxílio espiritual, conforto para dores, aflições e desequilíbrios das mais
variadas ordens.
A umbanda convida o homem a se
transformar. Assim sendo, o consulente recebe esclarecimento sobre sua real
condição de espírito imortal, ou seja, é levado a entender que é o único
responsável pelas próprias escolhas, e que deve procurar progredir na escala
evolutiva da vida, superando a si mesmo. Mas para transformar-se é preciso
estar pronto para compreender as energias que serão manipuladas, porque elas
trabalham com o ritmo interno. Ouvir a intuição é, portanto, ouvir a si
próprio; é saber utilizar os recursos necessários que estão disponíveis para
efetuar a mudança do estado de consciência.
Por isso, transformar significa
reverter o apego em desapego, a doença em saúde, a tristeza em alegria, o
desamor em amor, as faltas em fartura, a ingratidão e o ressentimento em
perdão. É não revidar o mal, mas sempre praticar o bem. Dar sem esperar
reconhecimento ou gratidão. A beleza da vida está justamente na
"individualidade", no ser único, criado por Deus para amar. E este
ser único está ligado à coletividade pelos laços do coração e da evolução, a
fim de aprender a compartilhar, respeitar, educar e ser feliz.
Somos o somatório dos nossos atos de
ontem: por ter cometido inúmeros excessos, estamos conhecendo a escassez, ou
melhor, sempre atuamos à margem, não conseguindo nos equilibrar no caminho
reto, pois o processo de evolução é lento, não dá saltos, respeita o
livre-arbítrio, o grau de consciência e o merecimento de cada um.
A umbanda pratica o Jesus
consolador, e, silenciosamente, vai evangelizando pelo Brasil afora, levando as
Suas máximas: "A água mais límpida é a que corre no centro do rio, pois as
margens sempre contêm impurezas". "Não vos inquieteis pelo dia de
amanhã, porque o amanhã cuidará de si mesmo", pois Ele nos envia o Seu
amor incondicional, que não impõe condições, porque não julga, não cobra,
apenas Se doa e espera pelo nosso despertar para as verdades espirituais, para
o homem de bem que existe dentro de cada um de nós.
Quando Jesus se aproximou de João
Batista, que, com os joelhos encobertos pela água do Rio Jordão, mais uma vez
falava do Messias, ao olharem-se um ao outro, uma força poderosa instalou-se sobre
todos os circunstantes. Jesus então aproximou-Se de João Batista, e este
ajoelhou-se aos pés do cordeiro do Cristo. Mansamente Ele o levantou e
agachou-Se sinalizando para que João O batizasse. Nesse instante único,
vibraram intensamente sobre Jesus, no centro do Seu chacra coronário, o Cristo
Cósmico e todos os orixás. Foi preciso que o Messias fosse "iniciado"
por um mestre do amor na Terra, para que se completasse Sua união com o Pai, e
ambos fossem um. Esse é um dos quadros históricos mais expressivos e simbólicos
que avalizam os amacis na umbanda. Aos que nos criticam, recomendamos que
observem melhor os ensinamentos de Jesus, desprovidos de "igrejismo"
e patrulhamentos evangélicos religiosos.
Em todas as passagens do Evangelho
de Jesus podemos identificar a vibração dos orixás, conforme descrevemos a
seguir:
Oxalá
Oxalá
é a fortaleza, a vibração do Cristo Cósmico na Terra, a doação do amor
incondicional, fraterno e perene, o profundo conhecedor da alma humana, o ser
abençoado de luz que irradia o equilíbrio perfeito entre o princípio do
masculino e do feminino. Seu olhar sereno e profundo, irradiando amor e
compaixão, Lhe permite penetrar o íntimo de cada um e não julgar, apenas amar e
curar, não somente as enfermidades físicas, mas as da alma. Seus braços
permanecem abertos em nossa direção e Seu Evangelho nos ensina estas máximas:
· "Amar a Deus sobre todas as
coisas e ao próximo como a si mesmo", pois não podemos amar a Deus, sem
antes nos amarmos e, por conseguinte, amarmos nossos semelhantes. Se não existe
amor dentro de nós, se não aceitamos nossas virtudes e defeitos, não podemos
amar nossos semelhantes.
· "Eu sou o caminho, a verdade
e a vida; ninguém vem ao Pai senão por Mim". Jesus nos mostra o caminho da
simplicidade e do amor fraterno, do desapego e do perdão. A confiança na
Providência Divina nos ajuda a difundir o Evangelho - caminho que leva a Deus,
à verdade que liberta e que nos faz deixar de sofrer. Tudo o que pode deixar de
existir amanhã não é verdade para nós, pois o que continua com a vida são os
afetos, as alegrias, os sentimentos que carregamos em nosso interior. Devemos
valorizar a nossa vida, buscando a verdade interior, o caminho para a
felicidade.
· "A minha paz vos dou, mas não
como o mundo a dá". Todos deixaremos o teatro da vida terrena para
encontrar a paz verdadeira na vida espiritual. A paz do mestre está nos valores
morais, na conduta da vida em harmonia com as leis de Deus, na paciência para
com as nossas imperfeições - pois temos de vencer a nós mesmos -, e no despertar
da consciência na escalada da evolução, que nunca cessa. Cada mudança interior
para melhor reflete-se na convivência com o próximo. Quem ama sempre vai estar
acompanhado, porque o amor encontra ressonância em outros corações. Amar é
doar-se para a vida, em favor do bem.
Xangô
Xangô
é a sabedoria, o amor e o respeito à vida, em obediência às leis de Deus; é o
entendimento do encadeamento de nossas ações e reações, que estabelecem uma
relação de causa e conseqüência, no sentido de ascensão espiritual; é o
equilíbrio cármico.
No Evangelho, encontramos as
vibrações de Xangô nas seguintes máximas:
· "Não julgueis para não serdes
julgados".
· "Com a mesma medida que
medirdes será medido".
· "Atire a primeira pedra
aquele que estiver sem pecado".
· "Vá e não peques mais, para
que não te aconteça coisa pior".
· "A semeadura é livre, mas a
colheita é obrigatória".
· "Conhece a verdade e ela vos
libertará" (a compreensão das leis morais divinas liberta da roda do
carma, das reencarnações sucessivas).
· "Perdoai setenta vezes sete
vezes".
· "Ide reconciliar-vos com
vosso irmão antes de pordes a vossa oferenda no altar".
É tão fácil perceber a dificuldade
alheia, decidir qual atitude o outro deve tomar, resolver os problemas alheios,
criticar e espalhar a maledicência... O ser humano não costuma olhar para si
mesmo e avaliar a sua conduta diante da vida e do próximo. Acertar e errar faz
parte desta vida terrena, isto é, ter humildade para reconhecer os erros,
perseverança para continuar, e reconhecer o motivo pelo qual cada um está num
degrau evolutivo diferente. Não podemos exigir aquilo que o outro não tem para
nos oferecer, nem a capacidade para compreender.
Para cada ação, há uma reação, seja
positiva ou não. Por isso, é preciso ter flexibilidade diante da vida, ter
misericórdia para com a dor alheia, perdoar para se libertar, refletir sobre a
capacidade de mudar, perceber qual a facilidade de aprender com a vida, estar
em paz e equilíbrio com a Lei Divina para poder receber, por meio do
merecimento pelo esforço empreendido para melhorar, as bênçãos que deseja
alcançar. Fazer o bem e desejar o bem.
Devemos usar sempre a "verdade
como proteção" e ser fiéis a nós mesmos, ouvindo a voz do nosso coração.
Mestre Jesus sempre usou a verdade, e em Seus ensinamentos, iniciava Suas
frases assim: "Em verdade, em verdade vos digo...".
O perdão das ofensas liberta dos
aprisionamentos do passado, das mágoas e dos ressentimentos, é o bálsamo que
cura as feridas da alma. Jesus nos pediu que perdoássemos ilimitadamente, ou
seja, sempre. E Suas últimas palavras terrenas foram uma súplica a Deus pela
humanidade: "Pai, perdoai-vos porque eles não sabem o que fazem".
Tanto tempo se passou e nós
continuamos fazendo as mesmas coisas, nessa roda viva de incompreensão,
violência, desamor, julgamentos e cobranças, vítimas que somos de nossas
inconseqüências, apegados às próprias dores e cheios de medo da mudança, de
recomeçar, reconstruir o caminho, de aceitar ser feliz.
A felicidade terrena não é integral,
mas é possível porque vem de dentro, do coração amoroso que faz o bem e que
deseja ao outro o que quer para si próprio. Amar, perdoar e servir foi o
exemplo deixado por Jesus.
Oxossi é o aconselhamento; o poder da
palavra em ação, o caçador de almas, o amor pela natureza e pela Criação; a
necessidade de saúde espiritual e física; a renovação, a nutrição, a
prosperidade em todos os sentidos.
A manifestação dessas virtudes são
observadas nas seguintes colocações:
· "Bem-aventurados os aflitos,
os mansos, os que são misericordiosos, os que têm puro o coração...".
· "Esteja no mundo, mas não
seja do mundo", pois quando Jesus esteve no meio da dor, da miséria
humana, do desespero, do materialismo, da traição, da arrogância, não se deixou
contaminar.
· "A boca fala do que está
cheio o coração".
· "Onde está o vosso coração,
aí está o vosso tesouro".
· "Amai-vos e
instruí-vos".
· "Não são os sãos que precisam
de médico".
A chave do conhecimento tem de virar
sabedoria. Pela boca entram os alimentos e saem as palavras que, quando
harmoniosas, nos trazem equilíbrio e, por conseguinte, saúde.
· "Não vos inquieteis pelo dia
de amanhã, porque o amanhã cuidará de si mesmo".
Devemos viver um dia de cada vez, o
momento presente, que é tudo o que necessitamos, pois é imprescindível
cumprirmos nossas tarefas diárias com harmonia e gratidão. A gratidão sincera
abre as portas para a manifestação de tudo o que se necessita: criatividade,
talento, alimentação adequada, moradia, progresso no trabalho, bons
relacionamentos etc.
O plano divino opera de forma a
colocar em nossa vida as pessoas, os lugares e os objetos que responderão às
nossas necessidades. A prosperidade e a abundância fazem parte da nossa
existência: basta olhar a natureza à nossa volta, observar o Cosmo e as
estrelas. Devemos manter em nossos corações a gratidão a Deus por nossas preces
serem ouvidas e nossas necessidades atendidas, pois Ele sabe o que precisamos,
por isso dá "a cada um conforme as suas obras".
É necessário saber pedir, colocar a
intenção no que se quer e ter confiança em si mesmo, na própria capacidade de
realização. Assim sendo, as idéias surgem para a solução dos problemas.
Ogum
Ogum
é a vontade, os caminhos abertos, a energia propulsora da conquista, o impulso
da ação, da vontade, o poder da fé, a força inicial para que haja a
transformação. É o ponto de partida, aquele que está à frente. É a vida em sua
plenitude, a vitalidade ferrosa contida no sangue que corre nas veias, a manutenção
da vida, a generosidade e a docilidade, a franqueza, a elegância e a liderança.
A energia oriunda da vibração de
Ogum pode ser percebida claramente nestas palavras de Jesus:
· "A tua fé te curou" (com
a imposição das mãos, Ele acionou o poder da vontade de mudar de atitudes e
pensamentos).
· "Pedi e recebereis! Buscai e
achareis! Porque todo aquele que pede, recebe", demonstrando que Deus nos
dotou de inteligência e capacidade para que superemos nossas dificuldades,
recomendando-nos o trabalho, a atividade e o esforço próprio.
Precisamos aprender a pedir, pois
costumamos exigir soluções rápidas e eficazes para problemas de ordem material.
Estamos sempre correndo contra o relógio e perdidos entre compromissos
assumidos, os quais muitas vezes extrapolam nossa capacidade de cumprir.
Esquecemos de cuidar de nossos sentimentos, de ir ao encontro do que nos
realiza e nos dá satisfação interior, das coisas simples da vida.
Se acreditamos em reencarnação,
então sabemos que tudo aqui é transitório, que estamos na Terra para evoluir em
espírito, para superar a nós mesmos. O "pedir", colocado aqui, é no
sentido de "receber" da Providência Divina o ânimo, a coragem, as
boas idéias, a fim de que possamos crescer e adquirir a paciência necessária
para lidar com as nossas imperfeições e com as dos outros.
Cada problema contém em si próprio a
solução. Tudo está certo como está, pois tudo tem o seu tempo para mudar,
crescer e amadurecer. Aquilo que não nos cabe resolver "agora",
confiemos em Deus, pois quando estivermos prontos para compreender, tudo se
resolverá. Devemos dar o melhor de nós, com ânimo, entusiasmo e confiança,
agradecendo a oportunidade da vida.
· "Orai e vigiai", pois a
oração é o alimento do espírito; ela abre as portas para a compreensão, é um
bálsamo no momento das dores. A oração abranda nosso coração, nos protege e nos
fortalece. A vigilância é a resposta que vem para aquilo que pedimos em oração.
Ocorre que geralmente pedimos, e depois não prestamos atenção na
"resposta", porque somos imediatistas. Mas nem sempre a resposta que
desejamos ouvir é a que chega até nós, e sim a que necessitamos naquele
determinado momento.
Por outro lado, devemos observar que
tipo de pensamento estamos alimentando em nossa mente, e o que estamos
atraindo. Vigiar no sentido de prestar atenção a nós mesmos, pois buscamos
auxílio espiritual na casa de umbanda, mas o que fazemos com a orientação
recebida? Continuamos o tratamento até o final, com passes, banhos, água
fluidificada, leituras esclarecedoras? Estamos dispostos a mudar nossa conduta?
Fazemos uma análise e higienizamos nossos pensamentos e sentimentos? Estamos
dispostos a nos desapegar dos sentimentos de culpa, de nos colocarmos como
vítimas das circunstâncias, de não participarmos ativamente da nossa
"própria" vida?
Ninguém fará por nós o que nós
mesmos temos de fazer, assumindo as rédeas da situação e acionando o curador
interno, pois a felicidade é um estado de espírito.
· "A fé remove montanhas. Pois,
em verdade vos digo, se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda,
diríeis a esta montanha: Transporta-te daí para ali, e ela se transportaria, e
nada vos seria impossível."
Na realidade a fé é ativa; é
inspiração divina que nos auxilia a chegar ao fim desejado; é a confiança que
fortifica e a certeza de vencer os obstáculos. A fé se prega pelo exemplo e
precisa ser apoiada na razão, porque é preciso amar e crer sabendo porque se
ama e porque se crê. A fé caminha de mãos dadas com a esperança e com a
caridade; está intimamente ligada ao poder da vontade, à crença interior de
vencer as adversidades pela paciência que traz a compreensão dos fatos.
O Evangelho Segundo o Espiritismo
nos diz (capítulo 9) que o magnetismo é uma das maiores provas do poder da fé
posta em ação. É pela fé que Jesus curava e produzia aqueles fenômenos
singulares, qualificados outrora de milagres. É a vontade dirigida para o bem.
Tudo quanto a nossa mente poderosa
acreditar e pedir com intensidade se realizará, por isso Jesus disse:
"Tudo quanto pedirdes em oração, crede que recebereis".
Ogum representa, portanto, o caminho
que precisamos percorrer; aquele caminho solitário para vencer os dragões
internos que, na verdade, é o espírito em busca de si mesmo; percorrer o
caminho de volta à unicidade com o Pai.
Somente quando aprendermos a amar e
compreendermos em nosso espírito esse legado de amor, perdão, compaixão,
não-julgamento, gratidão pela vida, respeito por nós e pelo próximo, quando
usarmos o livre-arbítrio com responsabilidade, não viveremos mais presos ao passado,
nem tão pouco angustiados e ansiosos com o futuro, compreenderemos de forma
integral que o momento de servir é agora. Jesus participava, servia, ouvia,
compartilhava, instruía e amava a todos sem distinção.
Yemanjá
Yemanjá
é o respeito, o amor, o despertar da Grande Mãe em cada um, a percepção de que
somos co-criadores com o Pai, podendo gerar a "vida". Jesus tinha o
princípio do masculino e do feminino (animus e anima) em Sua essência divina,
em perfeito equilíbrio interno. Hoje, temos uma visão totalmente distorcida e
masculinizada do princípio feminino. Deus na realidade é:
Deus-Pai-Mãe-Espírito. Temos dificuldade de penetrar na essência do feminino,
que é a emoção, a doçura, a compaixão. É a energia que flui, a essência da
doação, da harmonia, da vida em perfeito equilíbrio com a natureza, que espera
com paciência, em seu próprio ritmo.
Na vibração do amor, tudo se
harmoniza e permite que vejamos e aceitemos as pessoas como elas realmente são.
Amar é abrir o coração sem reservas, desarmar-se, entregar-se e doar-se. As
águas representam as nossas emoções...
· "Quem é minha mãe e quem são
meus irmãos, senão aqueles que fazem a vontade do Pai?", disse Jesus
demonstrando que Seu amor ampliava-se à toda a humanidade, para nos ensinar
que, rompendo com os grilhões do parentesco carnal, formamos uma única família
universal.
Yemanjá, em sua vibração divina,
cria os seus filhos para a vida, para que sejam cidadãos do mundo, respeitando
a individualidade de cada um. Mãe zelosa quer e visa unicamente ao bem de sua
coletividade. É considerada a Grande Mãe porque acolhe também os filhos
adotivos, de outras mães. Num terreiro de umbanda é a agregadora dos grupos, o
sentido de união, o humanitarismo, a procriação no sentido de progresso e
prosperidade.
Vovó Maria Conga nos esclarece:
"O amor compreendido e praticado é como um pintor que reproduz obras que
favoreçam a todos que são abrangidos pelo seu raio visual, provocando o
desenvolvimento de novos valores internos, modificando os quadros mais íntimos
de cada um, com as novas tintas e pincéis das conquistas realizadas em favor do
outro".
Sendo assim, surge a caridade com si
mesmo, que restaura no indivíduo a sua dignidade psíquica, levando-o a superar
o momento de dificuldade na conquista do alimento, da manutenção do lar, da
educação e da saúde por meio do próprio esforço. É o "ensinar a
pescar" que propicia o alimento sempre.
O mar é o nosso maior provedor de
alimentos e de pulsação da vida - este é o sentido de prosperidade. No seu
movimento de fluxo e refluxo das marés, limpa, energiza, leva o negativo e
transforma-o em positivo, promovendo o equilíbrio.
Jesus reunia-Se com Seus discípulos
nos finais de tarde, às margens do mar de Genesaré, para ensinar-lhes sobre o
"reino dos céus", e transformá-los em pescadores das almas. Em Seu
diálogo com Maria de Magdala, no livro Boa Nova, psicografado por Chico Xavier,
ela diz: "Desgraçada de mim, Senhor, que não poderei ser mãe". Então,
atraindo-a brandamente para Si, o Mestre acrescentou: "E qual das mães
será maior aos olhos de Deus: a que se devotou somente aos filhos de sua carne,
ou a que se consagrou, pelo espírito, aos filhos das outras mães?".
A palavra de Jesus lhe honrava o
espírito, convidava-a a ser mãe de seus irmãos em humanidade, aquinhoando-os
com os bens supremos das mais elevadas virtudes da vida.
"Vai,
Maria! Sacrifica-te e ama sempre! Longo é o caminho, difícil a jornada,
estreita a porta, mas a fé remove os obstáculos. Nada temas: é preciso crer
somente!".
E Maria de Magdala renunciou aos
prazeres transitórios da carne e dedicou-se integralmente a auxiliar os irmãos
em sofrimento, aliviando-lhes as feridas do coração, ficando até o fim de sua
vida terrena junto aos aleijados e leprosos.
Maria de Nazaré, mãe de Jesus, foi o
grande exemplo de fé e de entrega absoluta à vontade do Pai. Ela amou tanto o
seu filho único que jamais O impediu de cumprir Sua missão; pelo contrário, O
guiou com seu amor e sofreu com Ele o martírio infamante da cruz. Em
retribuição a esse amor, Jesus deixou a João, o Evangelista, Seu discípulo mais
amoroso, a incumbência de substituí-Lo nos cuidados com Maria.
Oxum
Oxum
é o amor-doação, o equilíbrio emocional, a misericórdia e compaixão. Mãe das
águas doces, Oxum possui uma força de penetração fora do comum na natureza
humana: é a psicóloga nata. Corresponde à nossa necessidade de equilíbrio
emocional, concórdia, complacência e reprodução (não necessariamente reproduzir
no sentido físico, mas no emocional que liga a mãe ao rebento vindouro). É a
mãe que cuida do feto durante toda a gestação, e entrega-o a Iemanjá, na hora
do nascimento, para cumprir a sua missão na vida. O amor-doação de Oxum é
aquele que faz a caridade ao próximo, que agasalha, alimenta e reconforta.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo
(capítulo 6), Jesus, o psicólogo das almas, diz: "Vinde a mim todos vós,
que estais cansados e aflitos, e vos aliviarei, porque o meu fardo é leve e o
meu jugo suave". Em Mateus: 25, volta a dizer: "Vinde, benditos de
meu Pai, possuí o Reino que vos está preparado desde o princípio, porque eu
estava com fome, e me destes de comer; estava com sede e me destes de beber;
andava estranho e me acolhestes; estava nu e me vestistes; estava doente, e me
visitastes; estava preso e me viestes ver". E ao ser abordado pelos
justos: "Quando foi, Senhor, que te vimos com fome, com sede, estranho,
nu, doente ou preso, e te acudimos?", Jesus respondeu: "Em verdade
vos digo, tudo o que fizestes ao menor de meus irmãos, a mim é que o
fizestes!".
Portanto, o Cristo interno não
despertará em nós, se não ajudarmos a despertar externamente o Cristo no
próximo. Essa é a grande Lei da Polaridade Cósmica. São Francisco, Gandhi,
Chico Xavier, e tantos outros, encontrando o Cristo nos outros, encontraram-no
em si próprios.
Esta é a máxima da caridade:
auxiliar e servir aos necessitados, porque só assim estaremos realizando a
caridade em nós mesmos. Conforme disse São Francisco de Assis: "É dando
que se recebe, é perdoando que se é perdoado".
Há mais felicidade em dar do que em
receber. O beneficiado recebe o bem que eu faço, mas o benfeitor se torna bom
pelo bem que faz, e antes de realizar qualquer bem no outro, ele o realiza em
si mesmo. O amor se manifesta por meio da caridade; sendo assim, o meu amor
cresce com a minha caridade.
São Francisco beijou as chagas
fétidas de um leproso, escolheu o sofrido e ínfimo irmão de Jesus e, nesse
momento, realizou em si o nascimento de Cristo, rompendo a rigidez que o
separava de sua verdadeira auto-realização. Ao romper com o ego humano, exultou
o Eu Divino.
Iansã
Iansã
é o movimento, a necessidade de mudança, de deslocamento. Representa a rapidez
de raciocínio (o raio), a coragem, lealdade e franqueza. Higieniza os
pensamentos; atua nos campos santos, em auxílio aos desencarnados, e no
despertar da consciência. Está ligada à orientação e à educação. Representa a
luta contra as injustiças. Sua propensão é trazer equilíbrio às ações humanas.
Atua junto com Xangô na Justiça, na aplicação da Lei Cósmica.
Quando o Mestre Jesus referiu-Se aos
que estavam dispostos a apedrejar uma mulher adúltera em praça pública,
dizendo-lhes: "Aquele que estiver sem pecado, que atire a primeira
pedra", todos foram saindo em silêncio e O deixaram a sós com ela. Então,
Ele a olhou bem no fundo de seus olhos e lhe disse: "Vá e não peques mais,
para que não te aconteça coisa pior!". Nesse momento, o Mestre manifestou
novamente o "não julgar", a reflexão, a oportunidade de recomeçar e a
necessidade de mudar de atitudes, para poder prosseguir na caminhada evolutiva.
Em outra passagem do Evangelho,
diz Jesus: "Não vim trazer a paz, mas a divisão. Vim para lançar fogo à
Terra; e o que é que desejo senão que ele se acenda?". Essa é uma atuação
clássica da energia de Iansã, simbolizada no raio, como força da natureza. A
idéia nova de Jesus encontrou resistência, incompreensão; trouxe à luz as
verdades divinas sobre o reino dos céus, e incomodou a crença materialista de
Sua época, que submetia o povo à violência e abusos das mais variadas ordens.
Quando "imolaram o homem"
no martírio da cruz, pensaram que haviam resolvido a questão, mas a idéia de
Jesus permanece até hoje, Seu chamado continua sendo A Boa Nova, a conquista do
espírito sobre a matéria, a liberdade de ser, e não a escravidão do ter, a
comunhão com o Criador, irradiando amor incondicional sobre todas as criaturas
e a natureza. Ela nos instrui sobre as dificuldades dentro da própria família,
as incompreensões por estarmos reunidos na carne, mas com etapas evolutivas diferentes,
não partilhando da mesma crença.
Iansã é o fogo, posto que a
mediunidade é um fogo sagrado, um dom que nos foi ofertado por Deus para
corrigir nossas imperfeições e nos ensinar a amar e a servir com humildade. É o
fogo da Criação, a capacidade de superar-se, porque as leis cósmicas não
permitem estagnação por muito tempo: exigem a nossa evolução, ou seja, o
potencial divino que habita cada ser necessita ser externado como chama viva, e
não vibrar como brasa que não é alimentada, ou fagulha que se apaga. Por isso,
temos o livre-arbítrio para escolher entre servir e amar, ou simplesmente ser
uma criatura acomodada e ociosa. A escolha é inteiramente nossa, e a
responsabilidade também. A pressa de que o fogo se acenda é para que haja a
transformação do homem, para que cessem as guerras e as divisões internas e
externas, visto que a paz nasce dentro do coração do ser.
E segue Jesus, no Sermão do Monte:
" Bem-aventurados os pobres e os aflitos...". "Bem-aventurados
os pacíficos e os simples de coração...". "Bem-aventurados os
sedentos de justiça e misericórdia...". É o despertar do homem de bem.
Omolu e Nanã Buruquê.
Omulu-Nanã
Buruquê é a transformação, a necessidade de compreensão do carma, da
regeneração e evolução. Representa o desconhecido e a morte, a terra para a
qual voltam todos os corpos, a terra que não guarda apenas os componentes da
vida, mas também o segredo do ciclo da vida, a transmutação.
Omulu conhece a dor da
transformação, o desapego e a libertação do ego, para que haja compreensão do
espírito imortal e livre, porque o espírito sopra aonde quer. A morte, não só
no aspecto físico, mas a morte de crenças e valores arraigados que não servem
mais e que acabam por enrijecer e estagnar a caminhada por medo de mudar, de
conhecer a si mesmo.
Nanã recolhe o espírito no momento
do desencarne, logo após o corte do cordão de prata feito por Omulu, e o
encaminha ao plano espiritual de forma amorosa e com a paciência de quem
conhece as dores da alma e o receio de encontrar a si mesmo, respeitando a
individualidade e o momento sagrado de cada um, no seu rito de passagem à outra
dimensão.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo
(capítulo 4), Jesus disse a Nicodemus: "Em verdade, em verdade, digo-te
que ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo". "O que é
nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é Espírito".
"Não te admires que eu tenha te dito que o espírito sopra aonde quer e
ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem ele, e nem para aonde vai: o mesmo
se dá com o homem que é nascido do Espírito". Nessa passagem, o Mestre nos
esclarece que o homem é co-criador com Deus, gera o corpo carnal que vai
abrigar o espírito que é de Deus, para que possa cumprir sua missão evolutiva
na Terra. O corpo procede do corpo e o espírito independe deste.
Já a "pluralidade das
existências" e a "reencarnação" estão subentendidas no trecho
"o espírito sopra aonde quer". A reencarnação é uma forma de
fortalecer os laços de família, em que muitas criaturas se reúnem pela afeição e
semelhança das inclinações, para trabalhar juntas pelo mútuo adiantamento. Mas,
na maioria das vezes, a parentela carnal necessita reajustar-se e voltar a
amar, pois este é um elo frágil como a matéria e com o passar do tempo se
extingue. Por isso, muitas pessoas se sentem estranhas no lar onde habitam,
pois ali estão para ajudar umas às outras até que esses laços se rompam de
forma natural. Isso ocorre porque contraíram débitos em outras existências, e
terão de pagar ceitil por ceitil, trabalhando a compreensão, o reajuste e a
aceitação das imperfeições próprias e alheias.
Conforme o grau evolutivo de cada
espírito, há um lugar para viver entre uma encarnação e outra. Quanto mais
evoluído o espírito, mais liberdade tem em estado de ventura e amor. Quanto
mais comprometido, mais reencarnações, mais necessidade tem de superar as suas
dificuldades e dores. Porém, Deus em Sua infinita bondade e amor, não abandona
os Seus filhos e enviou-nos Seu anjo de amor, para nos ensinar sobre o reino
dos céus, que não é deste mundo, e em Seu momento de maior dor rogou a Deus por
nós: "Pai, perdoai-vos porque eles não sabem o que fazem!".